segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Desenhos de Tibério L. S. Lobo - Categoria PSIQUE



Título: "Eurotragic"





Título: "Dry death"





Título: "Parque"





Título: "Radioatividade em Campo Bom ou ondas de rádio em Novo Hamburgo"





Título: "The space between"





Título: "Pacífico Pacífico"





Título: "Chuva sobre a plantação"





Título: "O sexo como modo de chegar até Deus"





Título: "Ambiente"





Título: "Metal 1"





Título: "Metal 2"





Título: "Cavernosamente só"





Título: "Luz artificial"





Título: "Pressão atmosférica"





Título: "Vontade"





Título: "Universidade"





Título: "As Fúrias"





Título: "Sub-átomos"





Título: "Intermission"





Título: "O cárcere das profundezas"





Título: "Alguns traços esquisitos que foram feitos de madrugada"





Título: "Em órbita"





Título: "Beterrabas a quarenta graus célsius"





Título: "Ela"





Título: "Cavidades azuis"





Título: "Injetador"





Título: "Deglutidor"





Título: "Aparelho receptor"





Título: "Through the Stargate"





Título: "Cydonia"





Título: "Ferro"




Título: "Sobreviventes do fim do mundo"







"Jantar à luz de velas"





Sua boca está suja do lado...
Não, não precisa limpar.
Saboreie a liberdade.
Use os talheres para cadenciar
a sequência da piada inconsequente.
Brincar com a comida
é o entretenimento mais ético e civilizado
que me foi ensinado
por esta vida cachorra.

Você sabia?: uma dose certa de tempero
pode resgatar a cena atemporal.
Pode você agora saber,
com insofismável certeza,
o que realmente está mandando para dentro
de seu corpo?

Espere só um pouquinho:
Vou ali pegar um machado
para acabar com esta mesa.

Pronto. Assim está melhor.
Se você tiver vontade de arrotar,
posso lhe ensinar algumas técnicas
espantosas.

E estas pequenas coisas fálicas com foguinhos na ponta...
Não seriam para inibir o pensamento crítico?
Apenas não iniba sua fome sincera
e minha geladeira lhe será pródiga.

Vamos direto pro sofá.
Eu sei que não tem mesinha de centro,
mas pode por o copo no chão.

Não planejamos uma instituição.
Vivemos aquela inata em nosso coração.
Não nos envergonhamos de externar o pensamento,
uma vez que não nos envergonhamos de pensar.
Por favor, deixe-me ser transparente
assim como uma taça de champanhe,
cheio de celebratória embriaguez
e coberto por marcas de boca beijante.

Vou desmanchar seu penteado
com meus dedos libertinos,
devolvendo você
à sua condição divina
no altar de uma ceia santa
e pura de entusiasmos renovadores
– uma profusão de amores
à americana.

Aceita um pirulito?








A banda que salvou a sua vida





A banda que salvou a sua vida
não pôde salvar a si mesma.
Idem quanto a mim –
eu é que escolhi você como meu salvador pessoal,
apesar da sua impotência,
apenas para ser ouvido,
compreendido por um coração
ainda não embrutecido
por silêncios e ruídos
vazios de Sentido.

A banda que coloriu sua parede
revelou você mesmo ao seu mundo monocromático;
revelou nada além do que você já conhecia –
matizes e lampejos
da cósmica melancolia.
(A luz do meu dia.)

A luz do meu dia
amanheceu no outro hemisfério.
A luz do meu dia,
a velha melodia
que um dia nos impeliu ao abraço
a também ao cansaço,
no espaço e no vão e no hiato
crucial de nossas vidas
não mais ecoa.

Não é mais o mesmo;
não somos mais os mesmos
há muito e desde sempre...

Só nos restou a batida
dos corações,
estrelas em colapso
e esperanças
de camas mais macias
pra sonhar.








“Aproveite o dia!”





Um conceito de realidade bem sólido
deixou um buraco vermelho
na têmpora deste garoto.

Uma perspectiva de vida cheia de convicção
enfiou-se bem aguda
em algo quente que se movia
no fundo deste colo de útero.

Uma dúvida existencial
quase teatral de tão tragicômica
ziguezagueou até dar de frente
com uma jamanta de vinte toneladas
e eu achei o resultado meio que equivalente
ao que seria uma suposta feira tecnológica
de moedores de carne
de última geração.

Tudo isto acontecerá
com quem zombar de algum filósofo.






Alcova nazifascista





Sempre me atrevo a pensar
no que seria de nós,
ou o quê de nós restaria,
se na hora da mais ingênua euforia
fôssemos flagrados,
então denunciados,
portanto julgados,
logo condenados sem remissão
por termos conseguido alcançar aquele ponto
em que inimigos passam a ser amigos;
de amigos a amantes
e amantes como denunciantes
do distorcido,
do podre,
do vil,
do servil de cada atitude cortês
desse partido hipócrita e birrento
chamado mundo.






sábado, 16 de fevereiro de 2013

O mal de toda revolução...





Às vezes as cópias são melhores que os originais;
às vezes o sofrimento altivo do presente
é melhor que o ridículo deleite da época da inocência.
Gosto das canções da fase decadente
dos meus artistas favoritos,
preciso quebrar minhas próprias regras
como medida de sobrevivência.

Acho que posso pagar o preço.

Não tente imitar meus pendores:
desentender-se com você é divertido.
Apenas odeie menos e revolucione mais.
Procure sinônimos convincentes
para seus argumentos.
Só o amor pode mudar minha cabeça.

Acho que posso pagar o preço.

Mas a precaução
me obriga, igualmente, a lembrar de uma coisa.

Toda revolução deixa seu rastro de destruição,
toda revolução deixa profundas cicatrizes;
para cada caminho aberto outros tantos se fecham
e quando precisamos voltar atrás num único ponto,
o orgulho desaprova a emenda.

Por isso os mortos incomodam menos que os vivos.
Os mortos vendem mais.
Os modernos fariseus batem à nossa porta
para vender sua indulgência,
mas você sabe que eles fariam tudo aquilo de novo;
você sabe como é fácil calar o povo.
Se a revolução estivesse acontecendo agora
em algum lugar,
você dificilmente saberia
e mesmo que ela fosse rentável o bastante
para iluminar nossas salas de estar,
você facilmente se acomodaria;
se fosse anunciada a descoberta da vida extraterrena
quase ninguém se surpreenderia;
passados 3 dias ninguém mais se importaria,
porque estarão muito ocupados
em ver um bando de 11 idiotas
correndo atrás de uma bola.
Ou algo do tipo.

Mas acho que posso pagar o preço.
Só o amor pode mudar minha cabeça.








Perseguição





Perseguição através da noite...
A ficção da sagacidade humana, estimulada...
Nos postos de vigia de nossos lares,
consideramos usarmos novamente
as velhas armaduras

e

o mundo volta a girar
– sempre para trás, como já é tradição.
Perdemos mais um jogo:
os matadores arrombam nossas portas
e degolam uma a uma nossas crianças.

Os predadores na névoa e sua biologia.
A tática louca na carestia.

Perseguição através da noite...
Podemos seguir seus rastros;
ora, qualquer cão saberia onde se quer chegar!
Mas não é qualquer um que suportará
ser hoje o jantar...

ou,

quem sabe, um passatempo de gatinhos.
Nossas vísceras como adorno comestível
no banquete dos gourmets anônimos da noite.
Nossos livros e obras
na lareira do conforto assassino.

As criaturas da noite com sua tecnologia.
Nossas vozes roucas na elegia.








sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Escravos do tempo (castigados)




Escravos do tempo
castigados,
detidos no ápice
do êxtase sensorial.

O tráfico do sentimento
petrifica nossas asas feridas
e jazemos
pálidos e incógnitas
entre o tiroteio,
dormimos pacíficos
entre o bombardeio.
Somos nossos.

É tão sutil o fim do mundo
agora que morremos abraçados;
escravos do tempo castigados.

...






Ciências Contábeis





Há mil maneiras diferentes de crucificar Jesus.
Há mil tonalidades nos quadros de Renoir.
Há mil e uma maneiras de preparar Neston®.
Há 10 mil motivos para eu permanecer com você.

Conte as gotas das cataratas do Niágara,
conte os grãos das dunas do Saara,
conte as estrelas da Via-Láctea:
estou em outra galáxia, meu amor.

Imagine a força de um combustível de antimatéria,
sonde o sentido último das máximas dos filósofos mortos,
especule sobre o improvável,
receba meu amor de braços abertos.

Sente sobre uma pilha de livros,
finja entender a palestra boçal,
teorize sobre o que lhe escapa à compreensão:
ainda posso ver você com bons olhos.

Dialogue com seus botões
e não esqueça que preciso de alguém para conversar.
Há um inverno dentro de mim às vezes...
O inverso dos seus sonhos impossíveis,
a medida das suas dúvidas incalculáveis.








Para quê serve um blog etc. etc.





"Lindo... Vou compartimentalizar (e compartilhar) toda minha alma num blog e deixar meu corpo se decompor tranquilamente.

"A Imortalidade é uma obra. Os Gregos tinham razão. Ao menos, uma resposta que tranquilizaria Heidegger.

"Lindo... É tão adorável ser poético e prático ao mesmo tempo. Falar apenas o necessário. Meu legado (e epitáfio) será uma beleza de bolso, portátil, funcional, que as pessoas poderão encaixar em seus corpos e almas toda vez que a vida doer além do necessário.

"Se já consegui isso? Acho que pouco. De fato, muito do que escrevo não é nada belo ou portátil... Mas os peixinhos podem ser pescados neste meu mar. Fiquem à vontade, não sou fiscal de caça e pesca no mundo que criei.

"Estas são, enfim, as aventuras dos meus eus. Sempre abertos para interagir com os seus, querido leitor e amigo.

"Muito Obrigado."